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Adversários Do Governador Rodrigo Rollemberg Terão Mais Tempo Para Campanha Política

 Coligação de Rollemberg deve ter só um quarto do espaço em TV e rádio das duas maiores alianças que se organizam contra o Buriti.

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Somados, os adversários do governador Rodrigo Rollemberg têm potencial para ter um tempo de televisão e rádio quatro vezes maior do que o atual chefe do Executivo, na batalha pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A vantagem pode ser ainda maior, caso o atual titular do Buriti não consiga consolidar uma coligação majoritária competitiva, até as urnas de outubro. Apesar do avanço das redes sociais, a televisão será ferramenta estratégica no embate por votos.

Segundo pesquisa na Justiça Eleitoral, neste instante pré-eleitoral, a Via Alternativa terá o tempo bruto por semana de 35 minutos e 32 segundos por dia no primeiro turno das eleições, contando composições para presidente, governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado distrital. A soma inclui as participações no horário eleitoral e inserções ao longo das programações das emissoras.

Nos dias específicos de propaganda para governador, terão 2 minutos e 38 segundos no horário eleitoral e 10 minutos e 22 segundos nas inserções livres. O grupo é formado por PSD, PSDB, PRB, PPS, PTB, PSC, DC, PMN, PMB, PPL, PSL, PHS e Patriotas. Pelas regras eleitorais, o tempo de TV de cada partido é calculado a partir da bancada na Câmara dos Deputados. Contudo, no embate majoritário só entram na conta, para valer, as seis maiores agremiações de cada coligação. Por isso, o tempo da Via Alternativa não é ainda maior.

A seguir com maior tempo está a pré-candidatura de Jofran Frejat (PR), que apresenta fôlego para 34 minutos e 39 segundos diários. Além do PR, o grupo é formado por MDB, PP, e DEM. Ou seja, pode crescer, caso consiga dois novos aliados. Estarão disponíveis 2 minutos e 36 segundos no horário eleitoral destinado especificamente para o republicano, enquanto as inserções chegarão no patamar de 10 minutos e 6 segundos.

Info/Baggi/JBr.

Juntos, teoricamente, Frejat e a Via Alternativa tem mãos mais de 50% do tempo de TV e rádio. Por outro lado, o governador ainda luta para construir uma coligação viável para reeleição. A grande desaprovação popular do governo tem sido um grande complicador para a construção de alianças.

O PSB nutre boas relações com Rede, SD, Podemos e PV. Em um cenário hipotético, uma coligação do grupo teria bala para 15 minutos e 49 segundos brutos. A campanha de reeleição teria 1 minuto e 10 segundos no horário eleitoral. Inserções, nas datas autorizadas, seria de 4 minutos e 30 segundos.

Outra força política em luta contra o isolamento é o Partido dos Trabalhadores. Colhendo os últimos frutos do auge político entre 2003 e 2016, a agremiação ainda sustenta uma grande bancada de deputados federais. Por isso, terá o maior tempo eleitoral, se consideradas isoladamente as legendas. O potencial bruto é de 14 minutos e 27 segundos diários. No horário eleitoral, a campanha para governador terá 1 minuto e 5 segundos, enquanto as inserções livres serão de, aproximadamente, 4 minutos e 13 segundos.

PPS aposta em inserções

Planejadas com inteligência, as inserções livres são mais eficazes nas campanhas majoritárias, segundo o presidente regional do PPS, Francisco Andrade. Além de apoiar o projeto da Via Alternativa, o partido trabalha pela reeleição do senador Cristovam Buarque e a eleição de pelo um nome para a Câmara dos Deputados.

Partidário da campanha de rua, gastando sola do sapato, o presidente regional do PP, deputado Rôney Nemer, lembra que esta eleição será mais curta, em comparação com as anteriores. Isso amplia a importância da TV, em função da capilaridade do equipamento nas casas dos brasilienses. Os planos do PP focam, inicialmente na eleição de cinco deputados distritais e dois federais.

Roney Nemer /Foto: Elio Rizzo/Cedoc

“A TV vai ser importante para esses candidatos. Só temos um nome da eleição passada. O resto é tudo rosto novo”, comenta Nemer. Neste sentido, a pré-nominata distrital deve prever 180 mil votos.

Temor de notícias falsas é unanimidade na capital

Com um olho na missa e outro no padre, os pré-candidatos ao GDF fazem planos para a TV e também para as redes sociais. Mas no caso da nova fronteira digital, os concorrentes traçam estratégias de divulgação em todas as plataformas, inclusive no Whats’app. Mas a maior preocupação será na defesa das mensagens mentirosas, popularizadas como “fakenews”.

“Infelizmente, existem empresas especializadas em fakenews, especializadas em denegrir a imagem dos adversários. E em apenas uma hora que ficar na nuvem, com todo mundo acessando, o dano será enorme”, lamenta Rôney Nemer. Neste contexto, o PP planeja contratar uma equipe para fazer a defender digital.

Preocupação semelhante é nutrida por Francisco de Andrade. “Será uma luta. A maior nação do mundo elegeu um pessoa, um presidente, que foi naturalmente impulsionado pelas mentiras das fakenews. Temos que estar muito preparado para alertar contra os perfis falsos”, lamenta, fazendo referência ao escândalo na última eleição nos Estados Unidos. Para Andrade, no DF, as chapas majoritárias serão as mais visadas.

Segundo Tiago Coelho, pesquisas mostram que no DF grande parte da população acessa a informação pelo smatrphone. “Vamos mostrar os feitos, demonstrar os defeitos, mostrar o que precisa ser feito com a casa arrumada. Não vai ser do nosso feito o jogo sujo, a agressão. Mas vamos botar o dedo na ferido e buscar o convencimento”, a anuncia o socialista.

Para o vice-presidente regional do PT, deputado distrital Chico Vigilante, quem estiver fora das novas mídias digitais estará fora das urnas. “Agora, que país é esse que gosta tanto de importar modismos? Chegaram a tal ponto que mentira foi rebatizada de fakenews”, alfineta. Nas redes, na TV e no rádio, Vigilante afirma que o partido baterá nas teclas da defesa do Estado Democrático de Direito, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ex-presidente Dilma Rousseff e de Agnelo Queiroz. O partido também baterá nos os problemas locais, principalmente na saúde e segurança.

Deputado Distrital Chico Vigilante / Foto: Myke Sena

PONTO DE VISTA

O tempo de TV é importante na corrida eleitoral, mas não é determinante. Em 2014, o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) tinha o maior espaço no horário e acabou derrotado por Rollemberg e Frejat, sem sequer ir para o segundo turno. Mesmo assim, o atual governador não descarta o televisor.

“Vai ser importante para fazer a defesa das entregas de governo, dizer o que vai ser feito no futuro e explicar aquilo que não foi feito”, resume o presidente regional do PSB, Tiago Coelho. Pelas contas do partido, Rollemberg precisa entre 2 minutos e 30 segundos e 3 minutos, contanto programa de eleitoral e as inserções. Para este cálculo, Coelho projeta uma coligação de 6 a 8 partidos. Sem revelar as legendas, diz que 5 já estão com o governador.

“Essa eleição vai ser nos dois ambientes. TV ainda vai ser forte. E a gente acredita que 30% dos eleitores vai se pautar pelas redes”, finaliza. Além da reeleição, o partido está focado em emplacar cargos proporcionais.

SERVIÇO

Via Alternativa
Cabeça de chapa para o GDF
Por hora, os nomes possíveis são do presidente regional do PRB, Wanderley Tavares, do presidente regional do PTB, Alírio Neto e do presidente regional do PSDB, Izalci Lucas.

Fonte: Jornal de Brasília

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