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308 mil pessoas estão desempregadas no DF, segundo pesquisa da Codeplan

308 mil pessoas estão desempregadas no DF, segundo pesquisa da Codeplan

Foto: Sindicato dos Bancários de Divinópolis e Região

A população economicamente ativa do DF é constituída por 1,638 milhão de pessoas

Por Deborah Novais e Thiago Soares - Correio Braziliense 

 

Após apresentar queda por cinco meses consecutivos – de abril a agosto – e estabilidade em setembro, a taxa de desocupação subiu novamente no Distrito Federal. Divulgada nesta quarta-feira (29/11) pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) aponta 308 mil habitantes sem ocupação, em outubro. O número representa 18,8% da população economicamente ativa. Em setembro, eram 18,7%. Comparado ao mesmo período de 2016, são 32 mil pessoas a mais sem trabalho.

A taxa de desemprego aumentou após passar por uma queda durante cinco meses consecutivos – de abril a agosto – e estabilidade em setembro. Para a Codeplan, o aumento de 0,1% representa uma relativa estabilidade. No 10º mês do ano passado, a capital tinha 17,5% de desocupados.

A pesquisa mostra ainda que, entre a 656 mil pessoas que trabalham no setor privado, 555 mil têm a carteira de trabalho assinada. A área pública representa 22,48% das ocupações, enquanto os autônomos e os empregados domésticos equivalem a 13,75% e 6,76%, respectivamente. Da população do DF, 825 mil pessoas estão inativas.

O professor Carlos Alberto Ramos, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que a capital apresenta uma das maiores taxas de desemprego do país – a taxa do Brasil no terceiro trimestre ficou em 12,4%, segundo o IBGE.  “Isso acontece porque o Distrito Federal é a unidade da Federação com a renda mais alta do país, o que atrai mais pessoas e, em consequência, aumenta a taxa”, argumenta.

Essa situação é vivida pelo auxiliar de almoxarifado Edmar Araújo, 35 anos. Desempregado há dois anos, ele se mudou para a capital há apenas quatro dias. Saiu do Pará em busca de oportunidade, incentivado pela irmã, moradora de Valparaíso (GO). “Lá (no Pará) estava muito complicado. Quero trabalhar com o que tenho experiência, porém, se surgir vagas em outras áreas também, estou disposto”, ressalta.

Menos vagas

A quantidade de trabalhadores na construção civil caiu 17% em um ano. Dos quatro principais setores da economia local, a indústria de transformação é o com a menor representatividade, equivalente a cerca de 3,5% da população economicamente ativa. Também comparado a outubro de 2016, o setor que mais abriu vagas é o de serviços, que teve um aumento de 6,5% em um ano. Das 1,33 milhão de pessoas empregadas no DF, 964 mil trabalham na área.

“Em todo o país, a construção civil e a indústria de transformação foram as mais penalizadas com a crise econômica”, destaca o professor Carlos Alberto Ramos. De acordo com ele, um dos principais problemas do DF é que o setor público, também em baixa, é um dos principais dinamizadores do mercado de trabalho.

Mulheres e negros

No critério de atributos pessoais, as mulheres (53,5%) e as pessoas negras em geral (74,1%) são a maioria dos desempregados no DF. Ou seja, são 164.780 habitantes do sexo feminino e 228.228 da cor preta sem trabalho. A taxa de desocupação é maior na faixa etária de 16 a 24 anos, com aproximadamente 542 mil pessoas.

Moradora do P Sul, em Ceilândia, Luciene Simões Gonçalves, 48 anos, se encaixa nos dois perfis com maior índice de desemprego: é mulher e negra. Ela sempre trabalhou como cabeleireira em atendimento domiciliar, mas, há ao menos dois meses, decidiu sair em busca de um emprego fixo, pois o trabalho eventual é insuficiente para pagar as contas. “Realmente, para a mulher é mais complicado. Já procurei em diversos locais e só falam que vão analisar, mas não chamam para entrevista, nem para as demais etapas. Espero logo estar empregada”, reclama.

Há menos de um mês, a farmacêutica Raquel Lopes, 42, tornou-se parte da estatística. Em virtude de problemas financeiros na empresa em que trabalhava, ela acabou demitida. Agora está em busca de uma colocação no mercado. “Vejo que existem apenas vagas para informalidade, e quando se trata de nós, mulheres, a situação é mais difícil”, relata a moradora de Planaltina.

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