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Wilmar Lacerda é indiciado por favorecimento da prostituição de menor

A 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) indiciou Wilmar Lacerda por favorecimento da prostituição de criança ou adolescente, crime previsto no artigo 218 do Código Penal Brasileiro. O petista é suspeito de ter transado com uma jovem de 17 anos em troca de lanches.

O delito estabelece pena de 4 a 10 anos para quem “submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos”. A denúncia, revelada pelo Metrópoles, provocou constrangimento ao senador Cristovam Buarque (PPS), que decidiu suspender o licenciamento do cargo para fazer pré-campanha pelo país.

Suplente de Cristovam, Lacerda assumiria o mandato de senador da República em 1º de dezembro, mas teve os planos frustrados pelas acusações. O caso, agora, está sob análise do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Chefe de gabinete da liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado, o político já se apresentava como parlamentar. No WhatsApp, um grupo batizado de “Amigos de Wilmar Lacerda” mudou o nome para “Senador Wilmar Lacerda”.

REPRODUÇÃO/WHATSAPP

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Nesta terça-feira (21/11), o ex-secretário de Estado de Agnelo Queiroz (PT) divulgou nota sobre o caso. “Informo que, de comum acordo com o senador Cristovam Buarque, não assumirei o mandato de parlamentar enquanto durarem as investigações em curso, nas quais provarei minha inocência”, defendeu-se.

Presidente do PT-DF, Erika Kokay adota tom ameno

Acostumada a subir o tom em relação a denúncias de abusos sexuais contra menores de 18 anos, a deputada federal e presidente do PT local, Erika Kokay, adotou uma postura defensiva ao falar do colega de sigla.

“Ele não tem se furtado a prestar todos os esclarecimentos às instâncias partidárias e tem afirmado, de forma clara, que não tem culpa. É preciso assegurar o direito à ampla defesa”, ponderou.

Questionada se levaria o assunto para um debate mais criterioso na legenda, a parlamentar disse que “talvez o caso possa ser analisado na Secretaria de Mulheres do partido”.

Uma hora após a publicação desta matéria, a assessoria da deputada entrou em contato com a reportagem e afirmou que Erika acompanhará “com a mais profunda isenção todo o processo investigativo. Caso seja constatada a culpa, o acusado deverá ser devidamente responsabilizado”.

Mãe de jovem desmente Wilmar

Na segunda-feira (20), a mãe da garota aliciada por Lacerda desmentiu o político ao dizer que não tinha conhecimento e nem aprovava o relacionamento dos dois. Ela contou ter ficado sabendo do envolvimento da filha com o petista após ler mensagens enviadas por ele no celular da adolescente.

Desempregada, separada e mãe de seis filhos, a mulher acredita que a pobreza da família contribuiu para que a caçula de seis irmãos aceitasse vender o corpo em troca de dinheiro e comida. “Depois que a apertei, ela confessou que saía com ele [Wilmar Lacerda] porque podia comer em restaurantes. Aqui em casa, às vezes, não tinha o básico para almoçar”.

De acordo com a adolescente, o primeiro encontro com Wilmar ocorreu em um bar da Quadra 5 da cidade. Em outro, os dois teriam almoçado no Torre de Pisa, no Shopping Conjunto Nacional. O restaurante é especializado em doces e salgados, mas também vende comida a quilo.

Após a refeição, o petista teria convidado a jovem para o apartamento dele, ocasião em que aconteceu a primeira relação sexual entre os dois. A menina teria sido aliciada por uma mulher de Planaltina conhecida como Rebeca. Apesar das promessas da cafetina de que seria bem remunerada, segundo relato da adolescente, Wilmar se recusava a lhe dar dinheiro.

“A declarante manteve relação sexual com Wilmar Lacerda por cinco vezes, o qual nunca pagou em espécie, pois dizia que não tinha dinheiro, mas sempre pagava um lanche”, consta em um dos trechos do boletim policial.

Sem camisinha


Após o primeiro encontro, Wilmar e a menina trocaram mensagens pelo WhatsApp e teriam saído outras quatro vezes. Ela conta que, apesar de seus pedidos, o futuro senador se recusava a usar camisinha.

“Recorda que Wilmar não gostava de usar preservativo e dizia que não havia risco de a declarante engravidar, pois havia feito um procedimento de retirada de sêmen e guardado em uma clínica”, descreve a garota, em outra parte da ocorrência. Metropóles

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