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Após depoimentos da JBS e Odebrecht, outras delações prometem sacudir ainda mais o país

Luiza Muzzi, O Tempo

A divulgação do conteúdo das delações de executivos da JBS e da Odebrecht sacudiu o cenário político brasileiro, deixando as principais lideranças do país na mira das investigações da operação Lava Jato. Apesar dos escândalos, a revelação dos esquemas de repasse de propinas e doações ilícitas em troca de apoio parece estar longe do fim. Diante de uma série de negociações de empreiteiras e políticos em curso com o Ministério Público Federal (MPF), a única certeza para o Brasil, neste momento, é de que ainda há muita bomba por vir.

Tanto a JBS quanto a Odebrecht implicaram centenas de nomes, com destaque para filiados dos maiores partidos do país e, agora, a expectativa é pela delação de outras empresas e protagonistas do escândalo. Impactados diretamente pela repercussão das últimas denúncias, alguns decidiram falar, em troca de também conseguirem atenuar suas penas.

As empresas Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa foram convocadas pela Procuradoria Geral da República a revisar e complementar seus próprios depoimentos, após as revelações dos últimos delatores, e podem complicar ainda mais a vida de alguns políticos. Os procuradores descobriram que as duas construtoras omitiram informações importantes sobre determinados casos, e pediram uma espécie de “recall” das delações anteriores.

Depois das bombas reveladas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, esses dois “recalls”, atualmente em negociação avançada com o MPF, prometem abalar outra vez o mundo político.

A Andrade Gutierrez, por exemplo, que já relatou pagamentos irregulares para as campanhas da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), agora deve detalhar propinas pagas em obras importantes de gestões tucanas em São Paulo e Minas Gerais, como o Rodoanel e o metrô paulistas e a construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro. A expectativa é que os depoimentos atinjam em cheio grandes nomes do PSDB, como o do senador afastado Aécio Neves, o do senador José Serra e o do governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

Já os complementos feitos pela Camargo Corrêa devem levar a Lava Jato a investigar contratos de obras públicas estaduais e municipais em São Paulo. Caso entenda que a mentira foi deliberada, o MPF pode até rescindir os acordos anteriormente firmados com as empresas.

Outras. Quem também deve trazer denúncias importantes à força-tarefa da Lava Jato são os ex-executivos da OAS. Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente da construtora, Léo Pinheiro, já fez acusações contra o ex-presidente Lula (PT) e, agora, além de outros políticos, a OAS também deve delatar magistrados que estariam envolvidos no esquema.

O ex-ministro Antonio Palocci é outro que está prestes a fechar acordo. Por ter sido bastante próximo a Lula e Dilma, sua delação promete causar alvoroço. A expectativa é que os depoimentos do ex-ministro atinjam em cheio banqueiros e empresários, incluindo um dos donos da BTG Pactual, André Esteves, em um caso de supostas vendas de medidas provisórias no Congresso.

Condenado a mais de 50 anos de prisão, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque também tenta um acordo de colaboração. Caso aceita, sua delação pode comprometer a alta cúpula do PT.

Minas. Suspeito de integrar um esquema de superfaturamento na Cidade Administrativa, o ex-presidente da Codemig Oswaldo Borges da Costa também estaria disposto a fechar acordo de delação. Estaçãodanoticia

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