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Nova intervenção no PSDB causa mais uma crise na legenda no DF

Sem eleições internas no Distrito Federal desde 2011, os tucanos permanecem em guerra pelo comando do ninho brasiliense. Nos últimos dias, a rotina do PSDB local tem sido de confusão. Presidente provisório, o deputado federal Izalci Lucas tenta se manter no poder evitando a consulta às urnas. Já o secretário-geral da legenda, Virgílio Neto, convocou eleições zonais para o dia 15 de outubro de forma unilateral, também com o objetivo de liderar a legenda.

A briga interna acaba enfraquecendo o partido, que mira o Palácio do Buriti em 2018.

Na segunda-feira (25/9), Izalci Lucas convocou, por e-mail, uma reunião da executiva local do partido às 23h. O encontro seria às 9h do dia seguinte. Sem a presença de parte dos membros do comando do partido, ficou definido uma nova intervenção de 120 dias na legenda, podendo ser prorrogada por igual período.

Discordando do que chamou de “medida autoritária”, o secretário-geral soltou comunicado e convocou eleições para este mês em todas as zonais do DF. “Estou seguindo as diretrizes da direção nacional, que determinou eleições visando unificar o partido e apresentar quadros fortes. O presidente apenas chegou e determinou que as zonais fossem comandadas por pessoas ligadas a ele. Sequer teve o trabalho de consultar nomes dos demais membros da executiva”, afirmou Virgílio Neto, que acusa Izalci de desobedecer o estatuto do PSDB.

O argumento de desobediência às regras partidárias é o mesmo usado pelo presidente provisório para desqualificar a convocatória. “Ele [Virgílio Neto] não tem autonomia para convocar eleições. Foi feita uma reunião da executiva e ele saiu sem assinar a ata. Decidimos uma série de coisas, entre elas nomear uma comissão provisória para cuidar das zonais. Desde maio deste ano, elas funcionam de forma irregular”, rebateu Izalci.

Em documento divulgado após a convocação, Virgílio acusou o presidente regional de inércia. Izalci desmereceu o argumento do adversário, dizendo que o estatuto do partido prevê os presidentes zonais como responsáveis pela convocação.

 

Recentemente, em eleições para zonais, a executiva do PSDB anulou a vitória de aliados do deputado Raimundo Ribeiro. A decisão causou a insatisfação do parlamentar, que deixou o partido em março do ano passado e se filou ao PPS.

Governo
A falta de “democracia” no PSDB é criticada pelo deputado distrital Robério Negreiros. O neotucano, um pouco mais ponderado, disse que não é contra a permanência de Izalci à frente da legenda, mas não apoia a desobediência do deputado federal em não realizar as eleições.

“Ele prorrogou a intervenção provisória do que já era provisório. Eu penso: ‘como é que uma pessoa que quer ser governador do DF não consegue ouvir o partido?’ Eu quero eleições, mas não vou disputar nem de um lado nem de outro. Não quero controle de partido. Espero que haja um entendimento”, criticou Negreiros.

Se ele continuar como presidente, sua candidatura ao governo está sepultada, porque ele não consegue unir o partido e nem fazer uma eleição. Ele está enterrando uma remota chance que teria de ser candidato"

Robério Negreiros, distrital tucano

Filiações

Outro ponto de conflito entre os tucanos são os novos filiados. Izalci Lucas acusa seus adversários de realizarem filiações irregulares, a partir do cadastro de famílias carentes que recebem ajuda da ONG mantida por Virgílio Neto. O deputado federal afirmou que o secretário-geral pede para as preencherem fichas, como se fossem ganhar uma ajuda. Essas fichas acabam sendo mandadas para o partido para a consumação do ingresso na sigla.

De acordo com Izalci, um levantamento da própria equipe do gabinete, que liga para cada um dos recém-filiados, constatou que muitas pessoas sequer sabiam da filiação. Com isso, elas são canceladas.

“O Virgílio fez isso também com pessoas que recebem leite, verdura. Eu pedi para confirmar e as pessoas nem sabiam que estavam sendo filiadas ao PSDB”, atacou Izalci.

A briga para se ter um número maior de filiados pode dar mais controle dentro do partido aos membros da executiva. A corrida por novos associados também envolve o deputado Robério Negreiros. O neotucano apresentou recentemente a filiação de cerca de 1.750 nomes. Izalci afirma que são pessoas ligadas a empresas da família do distrital – sejam elas funcionários ou parentes – ou empregadas no gabinete dele ou que possuem cargos na estrutura do Executivo.

“Isso é mentira. As filiações foram feitas nos meus núcleos políticos. Os dois administradores da minha indicação não são filiados ao PSDB. São falácias, balelas e chorumelas. Não estamos vendendo o partido para o governador Rodrigo Rollemberg [PSB], como eles dizem. A ex-governadora Maria de Lourdes Abadia já deixou isso claro. Está na hora de acabar com esse coronelismo nos partidos, principalmente de grande e médio portes”, defendeu-se Robério.

Uma parte dos filiados por Robério acabou sendo rejeitada, mas, de acordo com o próprio distrital, um problema administrativo invalidou o afastamento dos novos membros do partido.

Virgílio Neto defendeu os novos ingressos e disse que sua última filiação contou com 450 nomes. Izalci, na última leva de filiados, conseguiu 550 incorporar integrantes.

“O próprio estatuto prevê a impugnação de filiações em massa. Em momentos que precedem eleição, não se pode filiar em massa. Mas isso não foi feito. Como secretário, eu impugnei uns 500 nomes, mas o presidente não endossou e não houve resposta”, contou Virgílio. Metropoles

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