22dez/200

Operação que prendeu Crivella investiga crimes ligados à igreja Universal

Para a desembargadora que expediu a ordem de prisão, a verba arrecadada em propinas era lavada pela instituição religiosa

Marcelo Crivella (Republicanos), prefeito do Rio de Janeiro, foi preso em operação conjunta do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil na manhã desta terça-feira (22). Também foram presos o ex-tesoureiro da campanha do prefeito, Mauro Macedo, o delegado aposentado Fernando Moraes e o empresário Adenor Gonçalves dos Santos.

O ex-senador e ex-secretário de governo no Rio, Eduardo Lopes, também é um dos alvos, entretanto, ele não foi encontrado pelos agentes em sua residência. De acordo com o apurado pela polícia, Eduardo se mudou para Belém e deve se apresentar à polícia.

Crivella foi preso por volta das 6h, em sua casa na Barra da Tijuca. Ele foi levado para a Cidade da Polícia, localizada na Zona Norte do Rio. Marcelo disse a jornalistas, antes de entrar na Delegacia Fazendária, que havia sido o prefeito que mais combateu a corrupção no estado carioca.

O prefeito é suspeito de integrar um “QG da Propina” que envolve a Prefeitura do Rio de Janeiro e empresários que lograriam privilégios em contratações com o governo por meio da oferta de vantagens aos dirigentes públicos.

Quadrilha universal

Para a desembargadora responsável pelo mandado de prisão de Crivella, Rosa Helena Penna Macedo Guita, o político é líder de uma organização criminosa que atuava no executivo local. Há indícios de que pessoas ligadas à igreja de seu tio, o bispo Macedo.

“E ainda com relação à lavagem de dinheiro, chamam a atenção as estreitas relações religiosas mantidas entre o Prefeito Marcelo Crivella, Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Mauro Macedo, primo do fundador da referida Igreja, e Eduardo Benedito Lopes, Bispo da mesma Igreja, em cotejo com o Relatório de Inteligência Financeira n.º 42.938, mediante o qual foi identificada e comunicada movimentação financeira anormal no âmbito daquela instituição religiosa, na ordem de quase seis bilhões de reais no período compreendido entre 05/05/2018 e 30/04/2019, o que sugere a indevida utilização da Igreja na ocultação da renda espúria auferida com o esquema de propinas”, diz trecho da decisão da magistrada.

Assim, Marcelo, o primo Mauro e o bispo Eduardo “foram identificados como os operadores financeiros do
grupo criminoso, ocupando, por assim dizer, o chamado ‘1º escalão'”, diz a desembargadora em sua sentença. Diário do poder

 

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