Por Fred Lima

Mesmo afirmando que a decisão para a escolha do novo presidente do PSDB-DF “tinha que ser democrática”, o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), usou a caneta e decidiu pelo nome do deputado federal Izalci Lucas, que não quis participar das prévias que deram vitória ao deputado distrital Raimundo Ribeiro.

Diante da intervenção, Raimundo, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia e o candidato a governador da eleição passada, Luiz Pitiman, ainda não sabem qual caminho vão trilhar ante a decisão do PSDB nacional. Por enquanto, a única que tomou uma decisão foi Abadia, que pediu a retirada de seu nome tanto da executiva provisória quanto da Comissão Executiva Estadual, por não concordar com o veredicto.

O PSDB-DF estava ganhando musculatura e protagonismo na cidade. Com a decisão, volta a ser um nanico interessado apenas em um projeto eleitoral para daqui a três anos e meio. Izalci quer ser candidato a governador. Ele tem respaldo para isso. Aliás, deveria ter sido na última eleição, e assim não teria ocorrido esse episódio desgastante para o partido. Talvez Izalci queira ser presidente para ganhar protagonismo na política distrital. A Câmara dos Deputados levou o deputado a se preocupar muito com a pauta nacional e esquecer um pouco a local. Essa é a análise feita por alguns blogueiros e jornalistas.

O problema é que a decisão não engradece o sistema democrático. Eu, por exemplo, não ficaria satisfeito e realizado por ter sido escolhido sem disputar a eleição. Venceu por meio da canetada, não pelo voto. A reclamação de Izalci era a de que todo o processo interno eleitoral estava tendencioso a Raimundo, mas por que então a executiva provisória não decidiu, em último caso, por uma nova eleição?

Já fiz um artigo onde mostro que essa conversa de que um é distrital, e o outro, federal, não procede. Então, que o PSDB nacional destitua os presidentes da sigla no Paraná e em São Paulo, e dê os cargos, por meio de canetada, a quem tiver um mandato superior na ordem hierárquica do poder! E tal argumento foi muito usado pelos defensores do nome de Izalci.

Em nenhum momento Raimundo Ribeiro foi chamado para ser ouvido pela executiva provisória. Parece que o nome de Izalci já estava sacramentado, e todo o tempo que se arrastou não passou de cortina de fumaça.

Quanto a Aécio, que disse uma coisa e fez outra, infelizmente também saiu menor após todo esse processo. O jeito mineirinho pode dar certo em alguns casos, mas em se tratando de democracia, não tem conversa. Se vence por meio do voto. Canetada relembra é outros tempos, que não trazem saudades ao país, onde Tancredo, avô de Aécio, era contra o que o neto fez. Justo agora que o PSDB-DF estava crescendo e ganhando força. Uma pena!

Da Redação